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Opinião Covid-19

Países desenvolvidos buscam cobaias para testes de vacinas em troca de promessas

Brasil oferece recursos humanos para testes de vacina inglesa e também para a chinesa

06/07/2020 16h13 Atualizada há 5 meses
Por: Cláudio Bertode
Países desenvolvidos buscam cobaias para testes de vacinas em troca de promessas

 

Na corrida pela cura do Coronavírus, temos duas linhas de contribuição. Países desenvolvidos entram com o financiamento, visando as patentes futuras e as promessas de lucros em escala mundial. Some-se a isso tudo, o renome aos cientistas a frente de tais projetos. Os frutos são incalculáveis, desde publicação em revistas científicas, seu nome cravado nos livros de história como a pessoa que salvou o mundo da pandemia de Covid.

Os países menos desenvolvidos e com menos visão do contexto em que estamos vivendo, acabam contribuindo de maneira mais discreta. No caso do Brasil, parece que a proposta é ofereceremos nossa humilde população de patriotas como cobaias para testes. 

Imagem da internet
Imagem da internet

 

Dia 27.06 o Governo brasileiro anunciou que 5 mil voluntários irão testar a vacina de Oxford. Com isso, se bem sucedida, teremos, logo de início, 34 milhões de doses para nossa população. Agora a Avisa acaba de autorizar também testes com a vacina chinesa. Com isso em mente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a empresa chinesa Sinovac Biotech a realizar testes para uma nova vacina no Brasil. O teste da vacina deve ser feito em 9 mil pessoas, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal. A China promete ao Brasil 60 milhões de doses, caso os testes sejam positivos até o final.

Resta saber é se essas vacinas realmente passarão na fase 3, que é quando realmente analisa a capacidade de imunização desses medicamentos. E resta saber se os países fornecedores de cobaias realmente terão as doses iniciais prometidas e se realmente poderemos fabricar esses medicamentos aqui em nosso solo. Outra dúvida é quais laboratórios irão explorar esse rico empreendimento no futuro. 

 

Entenda


"No mundo são 136 vacinas em desenvolvimento, 12 em estudos clínicos. Desses 12, apenas 3 estão na fase chamada fase 3. Então, a partir da aprovação da Anvisa, nós nos credenciamos como uma das 3 vacinas que têm grande chance de chegar ao público muito rapidamente", afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

 

A vacina de Oxford: Inglaterra

Segundo matéria do UOL, a estratégia usada é a de um vetor viral não replicante. Isso significa que os cientistas usam um vírus diferente do coronavírus como uma espécie de "cavalo de Troia". No caso da vacina da Universidade de Oxford, é utilizado um adenovírus. Esse vírus é geneticamente modificado para se tornar fraco, ou seja, não infeccioso e incapaz de se replicar no corpo humano. Os pesquisadores inserem neste vírus uma parte do coronavírus também modificada e não infecciosa, uma proteína. Quando essa vacina é injetada no corpo, o sistema imunológico promove uma resposta imune a essa proteína que estava escondida dentro do vetor, levando à produção de anticorpos e de outras células de defesa capazes de proteger o indivíduo contra o covid-19.

Em qual fase de testes a vacina está?

Está na fase três. Os pesquisadores já fizeram a fase pré-clínica, em modelos animais que se assemelham ao humano. Ela foi testada em ratos, furões e macacos e se mostrou segura. Depois, começou a fase clínica, que é divida em três etapas. Na fase um, testou-se o produto em adultos saudáveis, para demonstrar segurança em humanos. Na dois, analisou-se a imunogenicidade, para ver se a vacina realmente gera resposta imune no organismo, se o corpo produz anticorpo para aquele vírus. Até, por fim, chegar à fase três, para testar a eficácia do produto, se ele realmente protege e imuniza. 

A vacina Chinesa: a CoronaVac

Segundo O Globo-São Paulo, a vacina da Sinovac já foi aprovada para testes clínicos na China. Ela usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe). Ela implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado. Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune.

Também já na fase 3, cientistas chineses chegaram à fase clínica de testes – ensaios em humanos – em outras três vacinas. Uma produzida por militares em colaboração com a CanSino Biologics, e mais duas desenvolvidas pela estatal China National Biotec.

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